17.4.11

Pedra fundamental

Já ouvi discursos convictos dando conta de que mudamos o tempo todo. Desde nossa concepção até o momento em que falecemos, somos uma mudança contínua ou, como diria o músico, uma metamorfose ambulante. Fisica ou espiritualmente, tanto faz, seríamos um eterno casulo, nunca uma larva, nunca uma borboleta, ou nunca capazes de recordar qualquer desses momentos: apenas máquinas de transformação.

Por outro lado, há aqueles que advogam a essencialidade das coisas. As mudanças são superficiais. No âmago, nunca nos modificamos. Sempre os mesmos… destinados aos mesmos erros e aos mesmos acertos, presos numa roda de surpreendente previsibilidade.

Não me importa saber qual deles está certo.

A verdade é que as ruínas existem para nos dizer que ambos estão tão certos quanto completamente equivocados. Que mais além das ruínas para atestar que o tempo tudo muda? Que mais além das ruínas para mostrar que, no fundo, nada muda?

Exuberência, felicidade, pompa, esperança, virtuosismo. Tudo existe, nem que seja pelo mais ínfimo segundo, no seu momento de esplendor. Mais hora, menos hora, contudo, tudo degenera. O ciclo se perpetua e nunca termina.

Só as ruínas permanecem: certidões de que um dia tudo existiu e lembrança amarga de que tudo deixará de existir.

Eu presto um reconhecimento à minha vontade em continuar escrevendo e mostrando ao mundo o que eu desejo mostrar. Isso não muda.

E, ainda assim, tudo está diferente, pois a cada blog, a cada frase, a cada sentença, eu sou um escritor reformulado. Degenerado ou virtuoso… isso cabe a você, leitor, decidir.

Que o Ruinaria dê o que falar.